Começo de jogo.
Brasil e Portugal foi assim. Uma página em branco na Copa do Mundo. Um jogo sem futebol tanto quanto uma poesia sem versos. O suposto duelo mais importante do grupo terminou sem gols, sem vibração e sem demonstrar a Portugal o que eles já sabem há 510 anos: que nossas riquezas valem muito mais que as deles.
Tão insípida foi a partida que não inspira ela sequer um título diferente dos nomes anotados no súmula vazia da arbitragem. Brasil e Portugal foi assim.
domingo, 27 de junho de 2010
Heil, Hitler
Pois é amigos, chegou a hora de dar a cara à tapas.Depois de assistir, de boca aberta, ao jogo entre Alemanha e Inglaterra, estou convicta de que os pobres comandados de Dunga não levatarão a taça esse ano.
Imaginei Robinho, Elano e Kaká nas chuteiras dos ingleses, levando os dribles bonitos que os alemães deram nos súditos da rainha.
Isso sim, é futebol. Aprenda Dunga!
Tão velozes que meus olhos não acompanhavam. Coitados dos nossos meninos.
Não dá, esse ano não dá. Melhor perder de 1x0 para o Chile que de goleada para os alemães.
E vou além... esse ano a taça vai lá para a terra do Hitler, alguém duvida?
sábado, 26 de junho de 2010
Bastidores
Quem já acompanhou os bastidores de alguma coisa sabe que o espetáculo atrás das cortinas muitas vezes é mais interessante que o oficial, que todos assistem. Prova disso é a especulação frequente da imprensa sobre tudo o que não é público e na Copa não podia ser diferente.
Diante de jogos um tanto quanto enfadonhos, as partes mais divertidas têm sido as coletivas dadas pelos jogadores e seus técnicos e as relações imprensa-times, especialmente no caso do Brasil.
Que a atitude do Dunga é grosseira, as evidências não me deixam negar. Mas me faz pensar que ele realmente é um cara de personalidade, porque peitou a Globo na coragem, mesmo depois tendo, possivelmente, levado uma bronca da CBF. A regra de ninguém tem acesso à seleção vale para todos, não importa o tamanho.
Do outro lado, temos o Dom Diego sempre com uma frase de impacto, que pode parecer boba, mas de certa maneira, é uma estratégia inteligente. Toda vez que ele diz que queria ser brasileiro ou que vai correr nu em volta do Obelisco, em Buenos Aires, ele chama a atenção de toda a mídia para ele e tira o foco dos seus pupilos.
Na França, os bastidores esquentaram e não fosse o tema central futebol, toda a trama teria aparecido no TV Fama. Bate-bocas, desertores, expulsos, demitidos, uma greve geral e um monte de conflitos. Tantos que em determinado momento até perderam a graça.
Nos bastidores da Coreia do Norte, a fuga. Ou pelo menos a suspeita dela fez com que jornalistas contassem muitas vezes quantos jogadores estavam no banco. Teriam fugido de fato? Diante da situação do país, eu não duvidaria.
Nos bastidores da seleção do Uruguai, churrasco para comemorar a vitória. Nos da seleção da Inglaterra e dos Estados Unidos, muita segurança e ruídos de ataques terroristas. Nos da seleção Argentina, livros do Eduardo Galeano.
Nos bastidores da TV Globo, um comentarista ridicularizado mundialmente. E uma vontade enorme de destruir a imagem do técnico brasileiro, se é que ele já não anda fazendo isso sozinho.
Enfim. De fato, os bastidores andam bem animados, garantindo as discussões de bar, elevador e café. Um viva para eles!
Diante de jogos um tanto quanto enfadonhos, as partes mais divertidas têm sido as coletivas dadas pelos jogadores e seus técnicos e as relações imprensa-times, especialmente no caso do Brasil.
Que a atitude do Dunga é grosseira, as evidências não me deixam negar. Mas me faz pensar que ele realmente é um cara de personalidade, porque peitou a Globo na coragem, mesmo depois tendo, possivelmente, levado uma bronca da CBF. A regra de ninguém tem acesso à seleção vale para todos, não importa o tamanho.
Do outro lado, temos o Dom Diego sempre com uma frase de impacto, que pode parecer boba, mas de certa maneira, é uma estratégia inteligente. Toda vez que ele diz que queria ser brasileiro ou que vai correr nu em volta do Obelisco, em Buenos Aires, ele chama a atenção de toda a mídia para ele e tira o foco dos seus pupilos.
Na França, os bastidores esquentaram e não fosse o tema central futebol, toda a trama teria aparecido no TV Fama. Bate-bocas, desertores, expulsos, demitidos, uma greve geral e um monte de conflitos. Tantos que em determinado momento até perderam a graça.
Nos bastidores da Coreia do Norte, a fuga. Ou pelo menos a suspeita dela fez com que jornalistas contassem muitas vezes quantos jogadores estavam no banco. Teriam fugido de fato? Diante da situação do país, eu não duvidaria.
Nos bastidores da seleção do Uruguai, churrasco para comemorar a vitória. Nos da seleção da Inglaterra e dos Estados Unidos, muita segurança e ruídos de ataques terroristas. Nos da seleção Argentina, livros do Eduardo Galeano.
Nos bastidores da TV Globo, um comentarista ridicularizado mundialmente. E uma vontade enorme de destruir a imagem do técnico brasileiro, se é que ele já não anda fazendo isso sozinho.
Enfim. De fato, os bastidores andam bem animados, garantindo as discussões de bar, elevador e café. Um viva para eles!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
A Copa do Mundo não é de ninguém
Essa Copa está se superando em jogos ruins. As seleções tradicionais não estão empolgando e parece que todo mundo decidiu não perder, o que não necessariamente significa ganhar. Nesse quesito, a Nova Zelândia foi bem, apesar de ter ficado de fora da segunda fase com a invicta campanha de três empates.
Leiam o que está escrito a seguir e depois conversamos: O Mundial da África do Sul tem grande chance de ver um novo campeão, alguém que nunca levantou a taça.
Se der tudo muito certo pras seleções campeãs, teremos, no máximo, três delas entre as quatro semifinalistas, e estou considerando aqui que o Uruguai chega lá.
França e Itália terminaram em último em seus grupos e já deram adeus. Nas oitavas-de-final Alemanha e Inglaterra se enfrentam e uma fica pelo caminho. Quem passar deve pegar a Argentina, ou seja, mais uma campeã de fora. Entre os quatro semifinalistas teríamos essa seleção e mais os campeões Brasil e Uruguai, que correm por fora.
Mas se as coisas não caminham bem para quem já teve o gostinho do título, sobra para quem levantar a taça?
Holanda e Espanha despontam como minhas favoritas. Mas porque não falar em Gana? Sim, o país africano tem uma chave simples e se crescer pode chegar fácil na semifinal (contra Brasil ou Holanda). Daqui são mais duas partidas pro título.
Empates com vitórias nos pênaltis garantiriam a conquista africana.
Se eu fosse o técnico de Gana já começaria a treinar penalidades e se preparar pra jogar na retranca a partir da semifinal.
Esse carinha aí em cima pode ser o melhor jogador da Copa.
Leiam o que está escrito a seguir e depois conversamos: O Mundial da África do Sul tem grande chance de ver um novo campeão, alguém que nunca levantou a taça.
Se der tudo muito certo pras seleções campeãs, teremos, no máximo, três delas entre as quatro semifinalistas, e estou considerando aqui que o Uruguai chega lá.
França e Itália terminaram em último em seus grupos e já deram adeus. Nas oitavas-de-final Alemanha e Inglaterra se enfrentam e uma fica pelo caminho. Quem passar deve pegar a Argentina, ou seja, mais uma campeã de fora. Entre os quatro semifinalistas teríamos essa seleção e mais os campeões Brasil e Uruguai, que correm por fora.
Mas se as coisas não caminham bem para quem já teve o gostinho do título, sobra para quem levantar a taça?
Empates com vitórias nos pênaltis garantiriam a conquista africana.
Se eu fosse o técnico de Gana já começaria a treinar penalidades e se preparar pra jogar na retranca a partir da semifinal.
Esse carinha aí em cima pode ser o melhor jogador da Copa.
Luis XIX, O Fabuloso
[Brasil x Costa do Marfim]
Do peso e ansiedade da estreia sobrou a leveza do futebol implacável. Do jejum alardeado aos quatro ventos e cinco continentes, o silêncio com os seis dedos em riste. O Brasil foi mais Luis Fabiano, Luis Fabiano foi mais Brasil. Do triângulo perfeito, refez-se nosso atalho certeiro para o caminho do gol: Robinho, Kaká e ele, dono da camisa que o maior artilheiro da História das Copas vestia.
Tímido. Inofensivo. Em crise indesculpável a um jogador que se propõe a ser artilheiro. Havia até quem já andasse dizendo “Copa do Mundo? Não é pra ele”. Das críticas fundamentadas e das passionais, das picuinhas para vender notícia e do ufanismo às avessas, ficou a imagem do corpo desajeitado a sair do chão depois de imprimir no pé direito a força de cento e noventa milhões de impacientes. Do petardo cheio de ódio e de amor, restou o arqueiro marfinense a ouvir o barulho da bola quando a bola já havia passado. Eis o gozo reprimido por quinhentos e sessenta e cinco minutos. O desafogo agressivo e sereno, um gol fabiano de Luís Fabuloso. Brasil um a zero.
Será que é pouco pra calar tanta gente? Pois não seja por isso... os olhos arregalados de predador fitam a bola que vem do alto, o corpo de novo desajeitado a domina no braço e o primeiro adversário fica pra trás. O segundo chega manso, só deixa o corpo na frente na vã tentativa de deter o algoz em sua fúria solitária. Chapéu nele. O terceiro africano chega pulando, braços e pernas abertos, mas Luis não o distingue do colega: chapéu nele também. E o primeiro, aquele lá de trás, enciumado, insiste em participar dos retoques finais... atordoado com a chapelaria do canarinho mulato, porém, dá com as ancas no chão e permite que o artista conclua sua obra no contrapé do goleiro (ainda a procurar a bola do primeiro gol). Luis dois a zero.
Opa! Mas vale com a mão também? A autoridade do árbitro se esvai frente à maestria do goleador brasileiro. Numa Copa morna e carente de gols, prioridade ao bom futebol. As regras, só depois – se for o caso. O francês ri, gesticula a questionar – ou admirar? – a marotagem do nosso menino. Suas palavras inaudíveis, se pudessem ser ditas ao mundo inteiro sem a demagogia travestida da ética, seriam bem simples: “A jogava estava tão linda que eu não poderia pará-la”. A História da Arte também depõe em nosso favor: as maiores pinturas de todos os tempos contaram com o auxílio inestimável de quem? Deles, os braços.
Matador. Craque. Herói. Num jogo onde também houve Kaká, Elano, Felipe Mello e o abraço emblemático de Lúcio, Maicon e Júlio César, Luis Fabiano reinou. O Fabuloso despertou e assinou com os pés e os braços, em verde e amarelo, a classificação antecipada para a próxima fase. Que venha Portugal.
Tímido. Inofensivo. Em crise indesculpável a um jogador que se propõe a ser artilheiro. Havia até quem já andasse dizendo “Copa do Mundo? Não é pra ele”. Das críticas fundamentadas e das passionais, das picuinhas para vender notícia e do ufanismo às avessas, ficou a imagem do corpo desajeitado a sair do chão depois de imprimir no pé direito a força de cento e noventa milhões de impacientes. Do petardo cheio de ódio e de amor, restou o arqueiro marfinense a ouvir o barulho da bola quando a bola já havia passado. Eis o gozo reprimido por quinhentos e sessenta e cinco minutos. O desafogo agressivo e sereno, um gol fabiano de Luís Fabuloso. Brasil um a zero.
Será que é pouco pra calar tanta gente? Pois não seja por isso... os olhos arregalados de predador fitam a bola que vem do alto, o corpo de novo desajeitado a domina no braço e o primeiro adversário fica pra trás. O segundo chega manso, só deixa o corpo na frente na vã tentativa de deter o algoz em sua fúria solitária. Chapéu nele. O terceiro africano chega pulando, braços e pernas abertos, mas Luis não o distingue do colega: chapéu nele também. E o primeiro, aquele lá de trás, enciumado, insiste em participar dos retoques finais... atordoado com a chapelaria do canarinho mulato, porém, dá com as ancas no chão e permite que o artista conclua sua obra no contrapé do goleiro (ainda a procurar a bola do primeiro gol). Luis dois a zero.
Opa! Mas vale com a mão também? A autoridade do árbitro se esvai frente à maestria do goleador brasileiro. Numa Copa morna e carente de gols, prioridade ao bom futebol. As regras, só depois – se for o caso. O francês ri, gesticula a questionar – ou admirar? – a marotagem do nosso menino. Suas palavras inaudíveis, se pudessem ser ditas ao mundo inteiro sem a demagogia travestida da ética, seriam bem simples: “A jogava estava tão linda que eu não poderia pará-la”. A História da Arte também depõe em nosso favor: as maiores pinturas de todos os tempos contaram com o auxílio inestimável de quem? Deles, os braços.
Matador. Craque. Herói. Num jogo onde também houve Kaká, Elano, Felipe Mello e o abraço emblemático de Lúcio, Maicon e Júlio César, Luis Fabiano reinou. O Fabuloso despertou e assinou com os pés e os braços, em verde e amarelo, a classificação antecipada para a próxima fase. Que venha Portugal.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Figurinha carimbada
Justiça seja feita.
Os Estados Unidos mereciam a classificação já que roubaram um gol deles contra a Eslovênia na segunda rodada.
Mas como não faz mal algum sofrer um pouco, foi bom deixar o gol pros minutos finais.
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